A Festa Literária de Paraty acontece do dia 22 ao dia 26 de julho com uma programação completa

Paraty é o lugar onde a natureza e a cultura se misturam e se confundem. E foi com todo esse espírito que a FLIP nasceu em 2003, e ela continua se renovando a cada ano que passa, como um encontro da literatura com a cidade.

A festa propõe, por meio dos livros e das artes, um olhar que transcende o íntimo e encontra o social, que vive o urbano para não esquecer da floresta, que desfaz as barreiras entre o dentro e o fora, que descortina novas possibilidades de ocupar os espaços. Ao longo de mais de vinte anos, a FLIP se consolidou como uma das mais relevantes manifestações culturais do Brasil, inspirando mais de 300 feiras e festas literárias. 

A 24ª edição contará com diversos nomes da literatura nacional e internacional, garantindo um acesso democrático à cultura, e operando como ponte entre o universo literário e as diversas comunidades de Paraty e do Brasil.

Confira alguns dos nomes já confirmados na programação.

Mariana Brecht leva a discussão da crise climática e a construção de futuros possíveis
Foto: divulgação/com.tato

Com a crise climática em pauta com a iminência de um El Niño com proporções jamais vistas, a autora paulista Mariana Brecht expande a discussão de maneiras de construir um futuro mais sustentável presente em sua literatura. Escritora, roteirista, narrative designer de jogos digitais e pesquisadora, Brecht é autora de Brazza, Foi acabar bem na nossa vez, Labirinto, A menina com os pés no chão e Cuber PANC e Só Zé. 

A autora participa da mesa Fogo e terra: a literatura climática no palco, que acontece na quinta-feira (23/07), das 11h às 12h, na Casa Aleph Artístico, com a participação dos autores Isadora Sinay e Sérgio Abranches; e mediação de Thiago Bio.

Arthur Simon apresenta romance sobre a descoberta da bissexualidade, neonazismo no Sul e suspense sobrenatural
Foto: divulgação/com.tato

Arthur Simon é um autor brasileiro que nasceu, cresceu e vive em Florianópolis. Servidor público desde 2018, foi cativado pela escrita em 2023, quando iniciou uma especialização em Escrita Criativa. Desde 2025, cursa Letras na UFSC.

Lana, como eu odeio esses caras! é seu romance de estreia. A trama acompanha Jéssica, uma adolescente que se vê arrancada de sua vida em Florianópolis e jogada em Hortênsias, uma pequena cidade “fictícia”, de colonização alemã em Santa Catarina. O que ela não esperava era encontrar ali não apenas a hostilidade de uma comunidade fechada, mas também Lana – uma vizinha de cabelo platinado, tatuagem de arco-íris e uma habilidade surpreendente de mover objetos com a mente.

Ambientado em 2008, o romance resgata a atmosfera dos primórdios das redes sociais – Orkut, MSN, comunidades virtuais – para construir uma trama que é, ao mesmo tempo, coming-of-age, suspense sobrenatural e thriller político.

O livro será lançado durante a FLIP, na Casa Gueto no Centro Histórico de Paraty com sessão de autógrafos no dia 24 de julho (sexta-feira), às 15h, e uma roda de conversa sobre processos criativos às 12h no mesmo local.

Sandra Godinho leva a Amazônia para o centro do debate sobre memória e ditadura
Foto: divulgação/com.tato

Vencedor do 1º Prêmio Escreviventes, o romance Inventário de um silêncio chega ao mercado literário como uma das vozes mais contundentes da ficção brasileira contemporânea sobre a ditadura militar. Sandra Godinho, autora de 16 livros e radicada há 23 anos em Manaus, conduz o leitor por um território pouco explorado pela literatura: o interior das empresas, onde a repressão operou de forma silenciosa e sigilosa, definindo trajetórias, afetos e destinos.

A trama acompanha Murilo, um engenheiro atormentado por uma lacuna: seu irmão Joel, sindicalista, desapareceu há doze anos. Quando Murilo acredita reencontrá-lo em um bar no centro do Rio de Janeiro, inicia-se uma investigação íntima sobre escolhas que moldam e deformam uma vida inteira.

Entre Manaus, Rio de Janeiro e Salvador, o protagonista percorre um labirinto de ressentimentos, enquanto a violência do regime não se apresenta apenas nos porões dos quartéis, mas nos escritórios, nos relatórios, nas promoções, nas listas internas, nos pactos de conveniência e nos segredos corporativos de uma refinaria de petróleo.

O livro será lançado no dia 23 de julho, na FLIP, às 17h, na Casa Tyiwaras Neomarginais e Capitolinas, e já está em pré-venda. A autora também participará de um lançamento em Manaus no início de agosto.

Luciana Palhares lança uma autoficção sobre infância, memória e as histórias que contamos sobre nós mesmos
Foto: divulgação/com.tato

Atriz, performer e escritora luso-brasileira, Luciana Palhares leva para a literatura elementos de diferentes linguagens artísticas. Sua produção literária investiga temas como memória, identidade, percepção e as fronteiras entre realidade e ficção.

É autora de Pequenas Verdades e Outras Histórias e Para Entender Uma História de Amor, os textos de Ficção que chamo de eu carregam ritmo teatral, humor, ironia e recursos de montagem inspirados pelo cinema.

A publicação reúne treze mini crônicas inspiradas em acontecimentos da primeira infância. Entre descobertas, assombros, incompreensões e pequenos traumas cotidianos, a autora constrói uma narrativa fragmentada que convida o leitor a ocupar os espaços deixados entre as lembranças.

Luciana fará uma sessão de autógrafos no dia 23 de julho, às 11h, no estande da com.tato, localizado na Casa Escreva, Garota!, no Centro Histórico de Paraty.

Danilo Heitor leva ficção científica e memória política
Foto: divulgação/com.tato

Danilo Heitor é professor de Geografia, escritor e editor. Nascido e criado em São Paulo, trabalhou em redes públicas e privadas de ensino, editoras e projetos comunitários. É autor de outras obras de ficção científica e fundador da editora País Nenhum.

Em Projeto Futuro, obra voltada ao público jovem-adulto, o livro combina ficção científica, suspense investigativo e memória política para revistar um dos períodos mais violentos da história brasileira.

A trama acompanha Soraia e Leilane, duas amigas que estão concluindo o ensino médio. Quando Soraia lê, sem querer, um e-mail inacabado do pai que revela a existência de um projeto secreto iniciado durante a ditadura militar que utilizava presos políticos como cobaias em experimentos de viagem no tempo, é quando nossa história se inicia.

Décadas depois, a iniciativa é retomada pelo atual chefe do instituto por meio de alianças inescrupulosas e interesses que ignoram qualquer limite ético. Então, decididas a impedir que novos crimes aconteçam, as duas elaboram um plano arriscado. À medida que a investigação avança, as amigas descobrem que o experimento continua ativo e que seus responsáveis estão dispostos a tudo para manter segredo.

Danilo irá realizar dois eventos de lançamento em julho. O primeiro acontece em São Paulo, no dia 18 de julho, às 16h, na Poison Books, em conversa com as escritoras Raquel Setz e Giu Murakami.

Já no dia 24 de julho, o autor estará na FLIP, na Praça Aberta, às 21h, para uma primeira sessão de autógrafos. A segunda acontece no dia 25 de julho, às 15h, no estande da com.tato, localizado na Casa Escreva, Garota!.

rafael caneca apresenta livro de estreia e debate sobre memória, política de exclusão e violência de estado
Foto: divulgação/com.tato

Rafael Caneca é um escritor nascido e residente em Fortaleza. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Ceará, com especialização em Direito Internacional pela Universidade de Fortaleza, atua como assessor jurídico no Ministério Público do Estado do Ceará. Escreve desde a infância e teve seu primeiro conto publicado aos 14 anos.

O autor cearense integra duas mesas de debate e participa de uma sessão de autógrafos durante a FLIP, apresentando ao público o romance Não volte sem ele. A obra, seu romance de estreia, revisita um dos episódios mais silenciados da história brasileira: a criação dos “campos de concentração” erguidos no Ceará durante a seca de 1932 para conter retirantes e impedir sua chegada à capital.

Fruto de cerca de dois anos de pesquisa histórica, o livro acompanha a trajetória de Tomás, um jovem sertanejo que parte em busca do irmão desaparecido, em uma travessia marcada pela fome, pelo deslocamento forçado e pelo confinamento. Ao transformar investigação histórica em ficção, Caneca articula temas como memória e apagamento, violência de Estado, política de exclusão, fé e sobrevivência.

No dia 24 de julho, às 14h, o autor participa da mesa Classismo, racismo e ascensão social na literatura brasileira, ao lado de Maurício Mendes, Marcelo Nery e Carolina Santos, no espaço da editora Orlando, na Casa Opera. No mesmo dia, às 16h, realiza uma sessão de autógrafos na Praça Aberta de Autores Independentes.

Já em 25 de julho, às 12h, Caneca retorna ao espaço da Orlando para a mesa Luto, memória e cura na literatura, ao lado de Lucas Limão e Marcelo Nery, em uma conversa sobre a potência da ficção para elaborar traumas individuais e coletivos.

Você pode conferir a programação completa do evento no site oficial da FLIP.

Já organizou seu roteiro da FLIP? Conta pra gente nas redes sociais do Distrito Criativo (Instagram) e aproveite para nos seguir e ficar por dentro das últimas notícias do cinema e literatura.

–

Leia também: Grupo Editorial Record | Três livros-jogos inéditos chegam ao Brasil


Descubra mais sobre Distrito Criativo

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe uma resposta

Trending

Descubra mais sobre Distrito Criativo

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo