Ator estrelou o sucesso de Steven Spielberg, Jurassic Park, dando vida ao paleontólogo Dr. Alan Grant e marcando toda uma geração

Hoje, a segunda-feira amanheceu um pouco mais nublada para aqueles que acompanharam a carreira de mais de 50 anos de Sam Neill, que, além de estrelar dois filmes da franquia Jurassic Park, fez uma participação especial em Jurassic World: Domínio. O ator faleceu neste dia 13 de julho em Sydney, na Austrália, aos 78 anos.

O comunicado foi feito pela família do ator em seu Instagram oficial: 

“É com imensa tristeza que a whānau [família] de Sam Neill compartilha a notícia de seu falecimento na segunda-feira, 13 de julho, em Sydney, Austrália. Sam estava cercado pela família e faleceu com a dignidade que caracterizou toda a sua vida. A perda foi repentina e inesperada, mas felizmente Sam permaneceu livre do câncer. Eles gostariam de expressar sua mais profunda gratidão à equipe do St Vincent’s Private Hospital pelo incrível cuidado. Mais detalhes serão compartilhados posteriormente, mas por ora, em nome da família, pedimos que respeitem sua privacidade enquanto enfrentam essa perda imensurável.”

Em 2022, Neill foi diagnosticado com linfoma angioimunoblástico de células T em estágio 3, um tipo de câncer no sangue que o obrigaria a fazer quimioterapia pelo resto da vida. Em abril deste ano, o ator confirmou que estava livre do câncer.

Quem foi Sam Neill?

Nascido Nigel John Dermot Neill, na Irlanda do Norte e criado na Nova Zelândia, Neill foi uma figura pioneira no desenvolvimento do cinema nas antípodas – pontos diametralmente opostos na superfície da Terra. Ele estrelou o filme de ação Roger Donaldson, Sleeping Dogs, de 1977, o primeiro longa a ser filmado em película de 35mm na Nova Zelândia.

Dois anos depois, ele interpretou o pretendente deslumbrado da ambiciosa Sybylla Melvyn em My Brilliant Career: uma das obras-chave da nova onda australiana dos anos 70, tornando-se um sucesso mundial e consagrando seus astros e produção internacionalmente.

Foto: reprodução/Arquivo da Internet

Mas foi em 1981 que Sam Neill atraiu mais atenção para si com dois filmes de terror. Em A Profecia III: O conflito Final, ele participou da sua primeira grande produção em Hollywood, em que interpretou a encarnação adulta do filho satânico Damien Thom. Em Possessão, do escritor e diretor Andrzej Zulawski, Neil e sua parceira de cena Isabelle Adjani interpretaram papéis duplos em um impressionante e agonizante horror.

Em 1985 e 1988, participou de dois filmes ao lado de Meryl Streep: Plenty e Um Grito no Escuro, encerrando a década dos anos 80 com o popular suspense Dead Calm, de Phillip Noyce, onde contracenou com outra estrela australiana de sucesso, Nicole Kidman.

1993 – O ano de Alan Grant
Foto: reprodução/Jornal de Notícias

Após alguns projetos no início dos anos 90 que não lhe deram muito destaque como ator, Sam Neill estrelou o drama de época de Jane Campion, O Piano, como o marido sádico de uma mulher deliberadamente muda. O filme tornou-se um sucesso de crítica e público, mas seu sucesso foi completamente ofuscado pelo thriller de ficção científica de Steven Spielberg, Jurassic Park, adaptação do best-seller de Michael Crichton, que marcou a estreia do personagem mais famoso de Neill: o paleontólogo Dr. Alan Grant.

Foto: reprodução/The Independent

Na trama, seu personagem tenta salvar um grupo de visitantes aterrorizados de um parque temático em uma ilha, após dinossauros geneticamente modificados causarem um caos. O filme arrecadou US$914 milhões de dólares em seu lançamento inicial.

O ator ainda retornou como Alan Grant em duas das sequências do filme original: Jurassic Park III (2001) e Jurassic World: Domínio (2022), o terceiro de uma segunda trilogia.

Foto: reprodução/NC News

Em uma entrevista à Forbes, o ator falou sobre seu trabalho de décadas interpretando Alan Grant: “Sempre penso em Alan Grant como um velho par de botas confortáveis. Elas já viram dias melhores, mas são muito confortáveis, e não tem como você se desfazer delas. Claro, você coloca as botas confortáveis ​​e o chapéu, e pronto, você está de volta ao personagem.”

Foto: reprodução/Global News

“O que era familiar é o que é verdade para todos os filmes da franquia ‘Jurassic’: eles não são filmes de dinossauros. São filmes sobre pessoas, pessoas comuns como um paleontólogo ou um matemático, mas em situações muito, muito extremas. São as pessoas que geram esses filmes. Você não pode ter um filme com um dinossauro como protagonista porque os dinossauros têm interesses muito limitados. Eles só querem se reproduzir e comer coisas.”

Os anos depois de Jurassic Park

Após o imenso sucesso do longa, o ator esteve presente em diversas produções do cinema, como a versão live-action da Disney de Mogli: O Menino Lobo; Na Boca da Loucura; Children of the Revolution; Event Horizon; The Horse Whisper; The Dish; Jessica; Hunt for the Wilderpeople, e pequenas participações nos filmes da Marvel dirigido por Waititi: Thor: Ragnarok e Amor e Trovão.

Na televisão, Neill esteve em A Sangue Frio; Merlin – que lhe rendeu indicações ao emmy e ao Globo de Ouro –; The Tudors; Untamed; The Twelve, e na série de sucesso da Netflix, Peaky Blinders, onde atuou como Chester Campbell.

Laura Dern e Steven Spielberg sobre Sam Neill
Foto: reprodução/Variety

Em declaração à Variety, o diretor Jurassic Park, Steven Spielberg, disse estar triste com a notícia da morte de Neill: “Devo uma enorme gratidão a Roger Donaldson, Gilliam Armstrong, Graham Baker e Phillip Noyce por terem escalado Sam Neill para os papéis nos quais ele foi tão brilhante, o que chamou minha atenção e o levou a interpretar o Dr. Alan Grant em ‘Jurassic Park’”

“Sam foi excepcionalmente colaborativo. Foi um desafio para ele interpretar um personagem que agia como se as crianças fossem bagunceiras e fedorentas, porque isso era o oposto do pai amoroso que ele era para seus filhos. 

Adorei fazer todos os filmes de ‘Jurassic’ com ele. Junto com Laura Dern e Jeff Goldblum, sempre teremos nossa família ‘Jurassic’ e Sam jamais será esquecido por nós ou por seus milhões de fãs ao redor do mundo.”

Foto: reprodução/Rolling Stone

Laura Dern, que contracenou ao lado de Neill no longa de Spielberg interpretando a personagem Ellie Stattler, homenageia o colega como um verdadeiro e nobre cavalheiro, o protagonista dos sonhos dela. A atriz escreveu uma homenagem emocionante ao seu colega de elenco e amigo.

“Sam foi meu querido amigo de toda a vida… Ele me mostrou a profundidade da lealdade, da proteção e do amor, sempre com o humor mais sutil. Ele era um verdadeiro e nobre cavalheiro, personificando o protagonista dos meus sonhos. Amarei você para sempre, Dr. Alan Grant.”

O eterno chapéu de Alan Grant
Foto: reprodução/Onmanorama

Para toda uma geração, ele continua sendo o paleontólogo de chapéu gasto e aquele olhar desconfiado diante de dinossauros ressuscitados por computador. A figura de Alan Grant segue viva, mesmo com a morte do ator.

Enquanto segurava uma garra de velociraptor fossilizada, seu personagem precisou de alguns minutos para nos ensinar a respeitar as criaturas mais incríveis que já haviam caminhado na Terra.

Foto: reprodução/Rolling Stone Brasil

Quem não ficou completamente assustado com a possibilidade do animal abrir sua barriga e arrancar suas entranhas, assim como o pequeno Eddie? Mas a intenção de Grant não era assustar, era nos fazer entender que, perto dos dinossauros, nós somos apenas seres pequenos e frágeis. E é essa narrativa presente nos 127 minutos de filme.

Foto: reprodução/Jovem Nerd

Ao ser introduzido ao Jurassic Park por John Hammond, Sam Neill passou a ser nosso guia pelo Parque dos Dinossauros ao longo de mais de 3 décadas. Com ele todos queríamos colocar o chapéu e ser paleontologistas. 

Foto: reprodução/SYFY

Hoje esse chapéu é guardado em um lugar de honra e legado para toda uma eternidade, para toda uma geração. A bela melodia de John Williams finaliza seus últimos acordes de “Welcome to Jurassic Park”, ao passo que John Hammond – interpretado pelo já falecido ator Richard Atternborough – o recebe de braços abertos para explorarem juntos o paraíso.

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