Em seu novo filme, Spielberg explora o fascínio pelos extraterrestres para refletir sobre empatia, fé e os dilemas que nos tornam humanos

Que Steven Spielberg é um dos mais influentes cineastas da história do cinema, todo mundo já sabe. Em Dia D, o mais novo longa aguardado do diretor, traz Spielberg abordando um assunto recorrente em sua filmografia espetacular: os mistérios do universo e a existência de vida inteligente fora da Terra.

Foto: divulgação/Universal Pictures

Em Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de 1977, E.T. – O Extraterrestre, de 1982, e Guerra dos Mundos, de 2005, o cineasta usou a temática não apenas como ficção científica, mas para explorar o impacto do desconhecido na humanidade, a dinâmica da família, a superação do isolamento e o valor da empatia.

Às vésperas do lançamento de Dia D, Spielberg afirmou em entrevista à CBS News acreditar que nosso planeta “com certeza” já foi visitado por extraterrestres: “Com base nas evidências circunstanciais de tudo que reuni ao longo da minha vida, de todas as pessoas que ouvi, de todos os documentários que assisti e de todos os depoimentos que presenciei no Congresso, acredito piamente que eles estiveram aqui e estão aqui. E quem sabe, talvez eles sempre tenham estado aqui”.

Foto: divulgação/Universal Pictures

Ao revisitarmos a história do diretor, descobrimos que Steven era apenas uma criança quando seu pai lhe garantiu que havia vida inteligente fora da Terra. Completamente apaixonado por ficção científica, ele apresentou clássicos do gênero ao seu filho, tendo sido O Dia em que a Terra Parou, de 1951, o primeiro contato do jovem Steven com a história de um alienígena amigável.

Após duas décadas longe das histórias centradas em extraterrestres, Spielberg retorna ao tema com Dia D – Disclosure Day –, que chega aos cinemas esta semana. A trama questiona: e se as autoridades já soubessem da vida alienígena há 79 anos e a divulgação da informação para a população fosse iminente?

A ideia surgiu a partir de uma publicação do The New York Times em 2017, que revelou ao mundo que o Pentágono gastou 22 milhões de dólares anualmente, entre 2007 e 2012, com a manutenção de um programa voltado a avistar objetos voadores não identificados – óvnis. Para aumentar o alvoroço em torno do assunto, em 2026, o presidente americano da época, Barack Obama, revelou acreditar em vida alienígena, mas disse não ter acesso a informações confidenciais sobre o assunto. 

Em resposta, o atual presidente, Donald Trump, prometeu divulgar documentos oficiais sobre extraterrestres. Mais de 200 arquivos sobre fenômenos curiosos vieram a público desde então, agregados dentro dos últimos oitenta anos.

Independente da veracidade dos fatos, não podemos negar que o gosto de Spielberg por teorias conspiracionistas rende histórias fascinantes. Isso porque, ao dialogar sobre a imensidão do universo, o cineasta encontra a humanidade.

Foto: divulgação/Universal Pictures

Em todos os seus filmes, Spielberg faz questão de espelhar os anseios da vida terráquea. Em Contatos Imediatos, ele comove ao sugerir que a interação com outros seres seria possível por meio da universalidade da arte, como música e pintura. Em E.T., o longa teve uma função mais terapêutica, porque foi a forma que o diretor encontrou de expurgar a solidão que sentia na infância durante o divórcios dos seus pais. 

E até em Guerra dos Mundos – considerado o filme com alienígenas maléficos – você ainda consegue analisar uma mensagem familiar de um pai que faz de tudo para salvar sua filha da invasão.

Em Dia D, Steven Spielberg quer promover a empatia

Batizado originalmente de Disclosure Day – Dia da Revelação – Dia D aborda a revelação de todos os segredos sobre a existência de alienígenas e suas tentativas de contato com os humanos. No centro da história temos Emily Blunt, uma jornalista encarregada de passar uma mensagem dos alienígenas à humanidade, e Josh O’Connor, que entende o recado e se junta à ela para uma missão.

Foto: divulgação/Universal Pictures

“É muito significativo para mim, certamente, e também para muitas pessoas que realmente acreditam que temos nos comunicado, mas simplesmente não nos informaram, com civilizações extraterrestres. Quando o grande desconhecido é de fato conhecido por alguns, mas não por todos nós, é essa desigualdade que me levou a escrever a história do Dia D.”

O trailer final do filme termina com Steven Spielberg admitindo: “Eu costumava pensar: ‘não seria maravilhoso se tudo isso se revelasse verdade?’ Agora penso: ‘não seria maravilhoso se as pessoas soubessem que tudo é verdade?’”.

Uma das questões que o filme também levanta é: como a hipotética divulgação de provas inegáveis de vida extraterrestre abalaria e desafiaria as crenças religiosas globais? Isso porque, Dia D, aborda questões teológicas profundas, como, por exemplo, de que forma a criação de Deus se estende para além da Terra. 

Uma das personagens se questiona se seria possível Deus ter criado outro tipo de vida inteligente sendo que na Bíblia a humanidade é descrita como a distinta criação mais inteligente de Deus. E em uma conversa com uma freira que a conhece, a religiosa a corrige dizendo que em Gênesis, a humanidade é descrita como uma criação singularmente distinta e inteligente, sim, mas na Terra.

O roteirista David Koepp e Spielberg observaram que alienígenas e Deus têm um propósito semelhante na consciência humana: ambos exigem fé. Muitos estudiosos e teólogos cristãos argumentam que encontrar vida inteligente em outros sistemas estelares não contraria o conceito de Deus como Criador, e o próprio Papa Francisco enfatizou que a salvação e a fé não se limitam necessariamente aos humanos.

Influenciada por alienígenas, a protagonista Margaret – interpretada por Emily Blunt – recebe o dom de entrar na mente de outras pessoas e compreendê-las imediatamente. O cineasta acredita que, “se isso fosse possível, nossa espécie seria muito mais colaborativa”.

Foto: divulgação/Universal Pictures

O impacto de Dia D é gritante nos olhares de cada um dos espectadores ao saírem das salas de cinema. Não pelas respostas que ele oferece, mas pelas perguntas que ele deixa ecoando muito depois dos créditos finais. Steven Spielberg usa de toda a sua genialidade para transformar, mais uma vez, o extraordinário em algo íntimo, usando a possibilidade de vida além da Terra para falar sobre empatia.

O longa convida a todos a imaginar como seria enxergar o mundo pelos olhos do outro. E, se o cinema ainda tem o poder de ampliar nossa perspectiva sobre quem somos, esse talvez seja um dos filmes mais importante da carreira de Spielberg. Espero que mais pessoas possam sair da sala com a mesma sensação que eu: a de ter testemunhado algo verdadeiramente especial.

Dia D tem sessões disponíveis a partir do dia 10 de junho.

Leia também: Dia D ganha trailer final e anuncia pré-venda de ingressos


Descubra mais sobre Distrito Criativo

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe uma resposta

Trending

Descubra mais sobre Distrito Criativo

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading